
Desde o último dia 25, 17 desenhos inéditos, nascidos em diversas regiões do Brasil, tomam conta do projeto AnimaTV, exibido na TV Cultura. Os desenhos possuem 11 minutos e futuramente vão se tornar uma série com 12 episódios.
Entre 25 e 29, sempre às 11h30 e às 16h30, passam diferentes desenhos animados. No dia 30, às 14h30, rola a maratona AnimaTV, com todos os desenhos.
"O projeto tem uma diversidade maravilhosa, não é tudo 3D ou 2D, feito só por paulista ou carioca", diz Carlos Wagner La-Bela, da TV Cultura. "E o mais bacana é que as crianças entram em contato com o universo da animação brasileira, vão se identificar com nosso dia a dia, com nossas histórias."
Enquanto personagens como a menina Vivi, o cão Bolota, a princesa Lucy e os carrapatos Bum e Bod não desembarcam na telinha, conheça um pouco sobre alguns deles a seguir.
Princesa "faísca atrasada"
Lucy é uma princesa introspectiva e meio "faísca atrasada" (lenta), como dizem na Porto Alegre (RS) da criadora Zu Escobar. Ela inventou a história da animação "A Princesa do Coração Gelado", que tem um jeitão daqueles livros de dobraduras, em que as figuras saltam das páginas. Na história, a princesinha precisa encontrar o quinto elemento, que irá descongelar seu coração. Mas terá que enfrentar Dr. Dumal (um vilão, claro!), que deseja congelar o coração de todo o reino. Como foram feitos os personagens e os cenários?
Usamos a técnica do recorte. Todos os desenhos foram feitos à mão e pintados com tinta acrílica. Depois, foram copiados para o computador. E aí foram criados mais de mil recortes: diferentes braços e pernas, rosto de lado, rosto de frente, graminhas e outros, tudo para montar os personagens e os cenários. Esses recortes ficam no que chamamos de "biblioteca".
Deu samba!
Vai dar samba é uma expressão usada para indicar que algo vai dar certo. Agora, é também nome de uma animação de Humberto Avelar. "Vai Dar Samba" é feita em 2D (desenhada no papel) e tem a música como tema. "Os episódios trazem pinceladas sobre o que é música e sobre como a música funciona. Faz uma analogia entre a vida e a música", diz Humberto, que escolheu o tema por achar que a TV já está cheia de desenhos com monstros e alienígenas. É mais difícil criar em 2D ou em 3D? A criação é difícil em ambas as técnicas. Aliás, a técnica que define o astral e o conceito do projeto. As técnicas de 2D, 3D, "stop motion" e outras tantas funcionam só como ferramentas para o criador. A criação vai além dessas ferramentas.
(HUMBERTO AVELAR)
Onde fica Viravento?
São muitos os jeitos de animar (dar vida) aos personagens dos desenhos. Em "Vivi Viravento", o animador Alê Abreu criou uma menina que adora anotar, desenhar e colar coisas das viagens que faz com a avó, uma escritora famosa, em seu diário. Assim, o seriado é "uma mistura do desenho animado com essas imagens da Vivi, revirando e recriando os lugares que visita em buscas de pistas para Viravento". Viravento? É de lá que surgem as histórias de sua avó. Como é a técnica usada para esta animação?
É um desenho animado que parece um diário, cheio de colagens, com desenhos de canetinha, lápis de cor, giz de cera, fotos recortadas e tudo o que Vivi encontra pela frente em suas viagens. No episódio da Amazônia, ela cola até folhas de verdade em seu diário!
(ALÊ ABREU)
Inspiração assombrada
É comum os animadores buscarem inspirações ou influências para suas criações. Victor-Hugo Borges conta que o desenho "Historietas Assombradas - Para Crianças Malcriadas" é inspirado numa série de TV antiga, lá dos anos 60, chamada "The Twilight Zone" ("Além da Imaginação"), que misturava ficção científica e terror. Nas historietas de Victor-Hugo, é o menino Nicolas que vai ter que encarar a imaginação fértil de sua avó, uma velhinha bem sinistra que vê alienígenas até no ralo da pia! Você criou uma bíblia para a animação?
Sim, sempre que é pensada uma série animada, é feita uma bíblia, que é um pequeno tratado com tudo que vai estar no desenho. Ela traz o estilo visual, o enredo, os cenários, os episódios etc.
(VICTOR-HUGO BORGES)
Que Hanna, que nada
Hanna Montana é um sucesso, mas não é unânime, certo? A animação "Zica e os Camaleões", de Ari Nicolosi, tem uma personagem que não tem nada da tal garota pop que vive em dois mundos - a não ser o gosto pela música. Zica tem 14 anos e oito meses, foi criada pela babá e vive trancada em seu quarto. Ali ela compõe, toca, faz grafite nas paredes e conversa com vários camaleões (sua consciência). Suas histórias acabam sempre num clipe musical. Como foi pensada a trilha sonora da animação? A trilha da série parte das mesmas influências musicais de Zica; ela gosta de ouvir rock das antigas, coisas dos anos 70 que descobriu na coleção de CDs do pai. A trilha é importantíssima na compreensão do que se pretende passar da história, dando os climas, pontuando as ações e reforçando as gags.
(ARI NICOLOSI)
Carrapato com bico de pato?
No mundo animado, a gente chega aos lugares mais incríveis. Em "Carrapatos e Catapultas", de Almir Correia, você desembarca numa galáxia onde carraPATOS, carrapatos bicos de pato, se locomovem por... catapultas! Os protagonistas de lá são Bum e Bod, que vivem num mundo onde há ondas amestradas nas praias e bolas de pipoca são usadas nas partidas de futebol. Sua história é cheia de "nonsense". Por que isso costuma a atrair tanto as crianças? O "nonsense" faz parte do nosso mundo. A loucura está aí no dia a dia. A nossa série é para rir em primeiro lugar. Existe muita crítica social também, mas isso fica em segundo plano.
(ALMIR CORREIA)
Fonte: Gabriela Romeu (Editora-assistente da Folhinha).